Dia da Consciência Negra – O dia daqueles que não querem ser esquecidos

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Há alguns anos, quando se falava em Dia da Consciência Negra, muitas pessoas reagiam de forma grosseira ou indiferente. Na maioria das vezes, surgia descontentamento com a possibilidade de se separar um dia específico para falar com mais veemência sobre a população negra e sua história. Entretanto, mesmo que o Dia da Consciência Negra não seja um feriado nacional e, em alguns casos, ainda seja facultativo, já se tornou realidade na sociedade brasileira. Cada vez mais as pessoas estão compreendendo a necessidade de um dia para se reportar à história de uma parcela, a maioria por sinal, da população brasileira que traz consigo a marca de uma discriminação sistêmica que perdura até os dias de hoje.

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Crise de gratidão

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Eu estava fazendo o check-out num hotel recentemente, quando um funcionário levou minhas malas e as de outros hóspedes, da recepção até o carro do hotel que nos levaria ao aeroporto. Depois de realizado o serviço, cada um que teve sua mala carregada deu uma gorjeta para o rapaz. Todos deram, à exceção de um senhor, grisalho, meia-idade que, mesmo sendo instigado pela esposa, recusou o gesto de cortesia. No carro, apoiada pelo olhar de todos, o hóspede ingrato recebeu severa reprimenda de sua esposa:

– Que absurdo! O rapaz carregou as nossas malas até o carro!

– E daí? – respondeu o pão-duro…

Se você souber por onde anda a gratidão, avise, pois ela está sendo procurada. Há, inclusive, recompensa atraente para quem encontrá-la.

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Manoel por Manoel

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Manoel de Barros, um dos maiores poetas do Brasil, faleceu ontem, aos 97 anos.

O texto abaixo é dele e saiu publicado em “Memórias inventadas – A infância”, da Editora Planeta.

MANOEL POR MANOEL

Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Continuar lendo

Uma viagem extraordinária

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Em determinado momento de “Uma viagem extraordinária”, o menino T.S. Spivet (Kyle Catlett) pensa em como os pais eram diferentes e estranha que eles tivessem se apaixonado um pelo outro. A tela do cinema é então dividida e em um lado aparece o pai em suas atividades de vaqueiro, um cowboy anacrônico, em um dia ensolarado. No outro, a mãe, vivida pela ótima Helena Bonham Carter, entomologista, cuidando de besouras à luz da lua. Ele é do sol: ela, da lua, conclui T.S.. Continuar lendo