Moleque de Brasília e de Xerém

Após a saída de outros jogadores importantes como Gustavo Scarpa e Henrique dourado, Marcos Júnior assumiu a posição de titular absoluto e estrela do time. são 8 gols na temporada e 35 no total. suas atuações vêm sendo elogiadas pelos torcedores e também pela imprensa esportiva

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Xerém é uma localidade municipal de Duque de Caxias que ca próxima à Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. A princípio um lugar tranquilo para viver, longe dos grandes centros urbanos. Mas com um diferencial em relação às outras cidades da região. Além do ar puro vindo das montanhas, o local respira futebol.
Lá o Fluminense Football Club mantém um Centro de Treina- mento específico para a base. São ao todo sete campos, sendo um de grama artificial. Academia, dormitório para 90 atletas e mais de 120 mil m2 de área utilizada. O clube oferece ainda aulas de inglês e palestras que ajudam no desenvolvimento físico, mental e técnico dos futuros craques.
O CT Vale das Laranjeiras tem uma loso a de jogo própria e uma metodologia de treino para cada categoria, que vai do Sub 11 ao Sub 20. Os Moleques de Xerém vêm de toda parte do Brasil e de outros países também. Um deles se chama Mar-

cos Júnior Lima dos Santos e veio de Gama, Distrito Federal, quando tinha 12 anos.

“Vim em busca do meu sonho, molequinho ainda. Quem me trouxe foi o tio Alexandre. Antes eu nem gostava de futebol. Mas ele me colocou no esporte. Fez isso com meus primos também. A ideia era tirar a gente da rua. Deu certo. Aprendi a jogar bola. Aos poucos fui gostando. Foram duas semanas de testes. Passei e fiquei”.

Foi a primeira conquista importante na carreira do atacante tricolor. Apenas o começo. Logo viriam outros desafios, ainda maiores, que para um atleta de ponta sempre existirão. “Primeiro ano foi muito difícil a adaptação. Não sabia se iria chegar no mesmo nível dos companheiros. Eles estavam a mais tempo e jogavam muito. Outro problema era não conhecer o Rio de Janeiro e dava um certo medo as coisas que eu via pela televisão. Fiquei 10 meses sem sair da concentração”. Marcos Júnior, porém, sempre foi uma promessa da base, onde teve boa atuação. Foi artilheiro isolado em 2011 pelo Campeonato Brasileiro Sub 20 com 8 gols marcados e convocado para servir a Seleção Sub 18 e Sub 20. Marcou 2 vezes na primeira convocação. “Naquela época, não tinha condições de trazer a família pra assistir a nenhum jogo no Rio. Mas meu pai conseguiu me ver numa final de Copinha e foi muito emocionante pra mim. Ele mora em Brasília e, da parte dele, quase todos são de lá”.

Muita coisa mudou desde então. Em 2012 subiu para o pro s- sional e foi três vezes campeão: Taça Guanabara, Campeonato Carioca e Campeonato Brasileiro. E o técnico era o mesmo, Abel Braga. Perdeu espaço em 2013 com novas contratações. Chegou a ser emprestado em 2014 para o Vitória da Bahia. Voltou em 2015, mas continuou na reserva. Em 2016, foi herói e autor do gol do título da Taça da Primeira Liga. Em 2017, outra Taça Guanabara no currículo. Este ano ganhou a Taça Rio.

E, apesar da eliminação nas semi nais do Campeonato Carioca 2018 com o Vasco da Gama vencendo o jogo no minuto nal dos acréscimos, o Moleque de Xerém vem vivendo um bom momen- to no Fluminense. Após a saída de outros jogadores importantes como Gustavo Scarpa e Henrique Dourado, Marcos Júnior as- sumiu a posição de titular absoluto e estrela do time. São 8 gols na temporada e 35 no total. Suas atuações vêm sendo elogiadas

pelos torcedores e também pela imprensa esportiva. “Além de jogador, sou atleta. Sempre gostei de trabalhar dentro e fora de campo com empenho e determinação. Nunca deixei de acreditar no meu potencial. E quando estava na reserva procurava traba- lhar mais ainda. Em nenhum momento me acomodei. Sabia da minha importância no clube, no time. E quando as oportunidades foram aparecendo, fui aproveitando. Acho que agora chegou meu momento. Um momento muito importante na minha carreira. Espero manter e crescer”.
UM TORCEDOR EM CAMPO
Com apenas 25 anos, Marcos Júnior é considerado um jogador veterano. Ele mesmo diz que aconselha os mais novos. Fala com cada um, individualmente. E além dos conselhos anda oferecendo também recompensa para quem der passe para um gol dele. “É uma brincadeira. Um trato que z com eles durante a pré-temporada nos Estados Unidos. Disse que quem desse assistência, ganharia 100 reais. E acabou acontecendo. Claro que durante o jogo ninguém pensa nisso. Mas deu certo e continuei. E na final da Taça Rio o valor foi mais alto”. Armação que gerou curiosidade e a mesma pergunta sem resposta. Até hoje ninguém sabe quanto, porque ele jurou guardar segredo.
Ao contrario da paixão que sente pelo clube, que é totalmente declarada. “Meu amor pelo Fluminense começou na base e aumenta a cada ano que passa, junto com minha responsabilidade. Não está só nos treinos e jogos. Está em casa. Tem até bandeira, uniforme para meu lho, que também é tricolor. É um sentimento que não sei explicar. Sou um torcedor dentro de campo”. E quando não pode jogar, ca na torcida. “Sou corneteiro. Falo muito. Reclamo quando o jogador erra, quando deixa de marcar. Um torcedor normal”. E talvez seja o motivo dele ser tão impetuoso. Já entra no jogo pilhado, com muita vontade de acertar.
IDENTIFICAÇÃO COM APELIDO DA TORCIDA
Tem um personagem de desenho animado chamado Kuririn, que assim como o jogador é careca, baixinho e musculoso. “Em 2015 a torcida já me comparava com o personagem. Só que eu não levava muita fé em imitá-lo dentro de campo. Meus amigos queriam que eu fizesse a comemoração de um gol com KameKameha, que é o poder que ele solta quando vai lutar. Diziam que ia ser bacana. Resolvi fazer num jogo contra o Flamengo, quando marquei duas vezes e ganhamos de 4 x 0”. Agora virou uma marca. Esta na foto de per l do jogador, nas mídias sociais, nas páginas o ciais do clube, nas resenhas esportivas, nas graças do torcedor. Não tem mais como parar. “Vou fazer sempre”.
SIMPLICIDADE ESPALHADA PELO MUNDO
Marcos Júnior ainda mora em Xerém. É casado com uma moradora
local, Dayane Simões. Eles têm um lho de 2 anos. Muito caseiro,
aproveita a tranquilidade do lugar para descansar dos jogos, treinos e viagens. Também gosta de passar o tempo curtindo o pequeno Pedro, com espaço para brincar. Preferiu reformar a casa a ter que mudar. Às vezes, o atacante tricolor caminha pelo sol sem camisa ou anda de bicicleta. Mas não é muito de sair. Prefere ver desenho ou jogar vídeo game.

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Ele não é o único. É até surpreendente o número de pessoas que acabam criando raízes no lugar. Pais, que foram somente para estarem ao lado dos lhos que sonham com a vida de jogador profissional e quando eles partem, resolvem car. Famílias que mantêm suas casas, retornam, visitam ou passam férias e estão constantemente lá. Tudo porque Xerém tem aquele jeito simples de interior, está a 40 minutos do Rio e tem toda estrutura para quem quer morar num espaço tranquilo e revigorante.
A população é acolhedora. Existe uma grande integração dos moradores com os jovens aspirantes do CT. Eles são reconheci- dos nas ruas pelo jeito único de andar, falar e vestir. E frequentam, além do comércio, igrejas e pracinhas. A convivência traz aquele sentimento recíproco de carinho que perdura para além dos anos de estadia. E quando conseguem a tão sonhada carreira profissional no futebol, eles continuam sendo chamados Moleques de Xerém em todo lugar. Seja no próprio Fluminense, a instituição formadora e de preferência dos atletas, ou em outros clubes espalhados pelo Brasil e pelo mundo, quando negociados.

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Thiago Silva do Paris Saint-Germain, Marcelo do Real Madrid, Gerson da Roma, Kenedy do Newcastle, Marlon do Barcelona, Maicon do Antalyaspor, Rafael do Lyon, Fábio do Middlesbrough e Alan do Guangzhou Evergrande são eternos Moleques de Xerém. Eles têm orgulho das origens e do lugar. Nogueira, Matheus Alessandro, Marquinhos, Calazans, Pedro, Lucas Fernandes, Danielzinho e Mateus Norton são a nova geração dos garotos revelados na base do Tricolor Carioca. E tem também outras crias do CT Vale das Laranjeiras espalhados pelo Brasil, como Wellington Nem e Diego Souza do São Paulo, Welington Silva do Internacional, Digão do Cruzeiro, Arouca do Atlético Mineiro e Fernando Henrique do Ceará. Além de ex-jogadores como Roger Flores que perpetuam o nome do lugar como fonte inesgotável de craques, histórias e recordações.
E como se não bastasse, Xerém abriga ainda o Estádio Los La- rios, que pertence ao Esporte Clube Tigres do Brasil e o Estádio Romário de Souza Faria, também conhecido como Marrentão ou Tamoio, propriedade do Duque de Caxias Futebol Clube. Até quem não é boleiro ca com vontade conhecer. Então que tal ir lá visitar? Chega no portão, bate palmas e grita: E como se não bastasse, Xerém abriga ainda o Estádio Los Larios, que pertence ao Esporte Clube Tigres do Brasil e o Estádio Romário de Souza Faria, também conhecido como Marrentão ou Tamoio, propriedade do Duque de Caxias Futebol Clube. Até quem não é boleiro ca com vontade conhecer. Então que tal ir lá visitar? Chega no portão, bate palmas e grita: “Oh de casa, Marcos Júnior está?”, espere para ouvir a voz que vem do outro lado do muro para avisar: “Tá não. Foi ali receber prêmio de melhor atacante na Seleção do Campeonato Carioca 2018”.
Rosária Farage

Fotos: Erica Matos

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