Mafalda, cinquentona

mafalda

Muita gente começou a comemorar o 50° aniversário da maior diva dos quadrinhos argentinos antes do tempo, mas coube ao próprio criador da menina pôr fim às dúvidas.

“Sua primeira publicação foi no dia 29 de setembro de 1964 na revista Primera Plan”, conforme comunicado na página de Quino, o pai da mocinha, que atribui a confusão a uma sucessão de erros de seus biógrafos.

Na verdade, Mafalda é uma senhora de 54 anos já que, nas tirinhas de Quino, Mafalda começa a contestar o mundo aos 4 anos de idade.

Uma praça no bairro portenho de Colegiales, um mural no metrô da Plaza de Mayo, uma estátua da simpática idealista num banquinho em San Telmo atestam o amor argentino por uma de suas filhas mais ilustres, que sonha ser intérprete na ONU, detesta televisão e apelidou sua tartaruga de estimação de “burocracia”.

No dia 29 de setembro, Mafalda deixou de estar sozinha em seu famoso banquinho nas junções das ruas Chile e Defensa, onde turistas do mundo inteiro fazem fila para uma foto com ela, e ganhou a companhia de Susanita e Manolo, personagens recorrentes na obra de Quino.

Inquieta, “beatlemaníaca” e “sopa-fóbica”, Mafalda é, segundo as palavras de Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, “uma menina que tenta identificar os bons e maus deste mundo”.Um mundo que Quino viu se transformar.

Argentino de Mendonça, filho de imigrantes espanhóis, Quino sentiu os efeitos da fragmentação da Espanha na guerra civil, da segunda guerra mundial e da ditadura militar na Argentina.

E seus personagens não estiveram à margem de todas essas mudanças.

Mafalda, Manolito, Susanita, Felipe, Libertad, Miguelito, Guille personificam protótipos típicos da classe média das décadas de 60 e 70, da esposa dedicada, dos conformistas, aos ingênuos e idealistas, como a própria Mafalda. Como ela mesma dizia, “existem mais problemólogos que solucionólogos”.

Em 1973, por decisão de Quino, a última tirinha da Mafalda foi publicada. Seu humor retumbou por gerações.

Mas ela voltou a aparecer em ocasiões pontuais, como em 2009, quando deu as caras no jornal italiano La Repubblica criticando declarações machistas do então primeiro ministro Silvio Berlusconi. “Não sou uma moça à sua disposição”, dizia a tirinha, juntando-se a milhares de mulheres que se sentiam ultrajadas pelas declarações do primeiro ministro italiano.

Mafalda continua mais atual do que nunca. “Às vezes até eu me surpreendo como algumas tirinhas de 40 anos atrás continuam se aplicando ao contexto de hoje”, disse Quino em uma entrevista. (Gabriela Grosskopf, Clarín)

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